VIDA ALÉM DO TRABALHO: a escala 6x1 precisa acabar

VIDA ALÉM DO TRABALHO: a escala 6x1 precisa acabar

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Iza Lourença

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Iza Lourença defende o fim da escala de trabalho 6x1 sem redução salarial. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, 33% dos trabalhadores brasileiros — cerca de 20 milhões de pessoas — cumprem jornadas de 44 horas ou mais, seis dias por semana, o que a vereadora considera incompatível com uma vida digna fora do trabalho.

Quem é você além do trabalho? 

Essa pergunta parece despretensiosa, mas, para mim, endereça a uma questão profunda que diz sobre nós e, sobretudo, sobre a nossa sociedade. Me faz pensar que a gente costuma se definir a partir do trabalho. Quando conhecemos alguém, nos apresentamos e falamos, logo na sequência, nossa profissão. Isso porque aprendemos desde cedo, pelo menos nós que fazemos parte da classe trabalhadora, que é o trabalho a parte mais importante da nossa vida. Afinal, o trabalho dignifica. E de fato é por meio do trabalho que ganhamos salário e garantimos nosso sustento e da nossa família. 

Só que somos muito mais do que o nosso trabalho.

Somos seres humanos e isso por si só já diz que somos multidimensionais. 

Para além do trabalho, poderíamos nos definir de diversas formas, como a partir do que a gente gosta de fazer, do esporte que a gente pratica, daquilo que nos faz nos sentir realizadas. Mas isso é extremamente difícil quando trabalhamos tanto que nem temos tempo para fazer qualquer outra coisa. Mal conseguimos descansar, ver nossos filhos crescerem, tirar o dia para conhecer a nossa própria cidade. Ainda mais nós mulheres, que chegamos em casa, depois de trabalhar o dia todo, e vamos preparar o jantar, lavar roupa, arrumar a casa, ajudar os filhos com o dever de casa. Há sempre o segundo, ou até o terceiro turno nos esperando. 

Diante dessa realidade, que atinge milhões de pessoas no Brasil, defendemos com prioridade a diminuição das jornadas exaustivas de trabalho, o fim da escala 6x1 sem redução salarial. Um recente estudo do Ministério do Trabalho e Emprego, apontou que 33% dos trabalhadores no Brasil cumprem jornadas de 44 horas ou mais, seis dias por semana. São cerca de 20 milhões de pessoas. E tenho certeza que e você não é uma dessas pessoas, você convive com alguém que trabalha na 6x1: o porteiro do seu prédio, o motorista de aplicativo, a trabalhadora dos serviços gerais do escritório onde você trabalha, a técnica de enfermagem do posto de saúde, os terceirizados da escola onde seu filho estuda.

Portanto, essa é uma luta estratégica e tem sido uma oportunidade histórica, com capacidade de mudar concretamente a vida das pessoas, abrindo brechas para discutirmos qual é a sociedade que queremos e precisamos. A proposta de emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada federal Erika Hilton, junto ao Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado pelo vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo, meus companheiros de Psol, foi assumido pelo presidente Lula, que tem defendido o fim da escala 6x1 em todo o país. Vamos seguir pressionando para que essa medida, e outras necessárias para diminuir a desigualdade no nosso país, seja aprovada.

Direito ao descanso não é privilégio

Quem é contra o fim da escala 6x1, provavelmente tem dois dias de folga, ou mais, na semana. Não à toa, aqui no estado, é a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) que lidera o movimento contrário à diminuição da jornada de trabalho, ou seja, são os empresários, que enriquecem por meio do nosso trabalho, que não querem que trabalhemos menos. Entre os argumentos, eles juram que a o fim da escala 6x1 vai quebrar o Brasil, que as multinacionais sairão do país, que o desemprego vai explodir, que o comércio vai fechar. Uma balela neoliberal, espalhada por uma elite que acredita na meritocracia e não aceita que trabalhadores voem de avião ou tenham férias na praia.

É essa estrutura arcaica e escravocrata que o fim da escala 6x1 atinge.

Ao contrário do que argumentam os empresários que temem a diminuição de seus lucros, as projeções de pesquisadores brasileiros sobre a diminuição da jornada de trabalho são otimistas. Outros países do mundo, como Alemanha, Itália e França, que estão experimentando jornadas mais curtas, de até sete horas diárias e 35 horas semanais, têm 

percebido maior satisfação ambiente de trabalho, diminuição do adoecimento das pessoas e melhoria na qualidade do serviço prestado. Aqui no Brasil, vivemos um colapso no mercado de trabalho. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Ministério da Previdência Social, os afastamentos de trabalho por burnout aumentaram no país quase 1000% em uma década. Essa realidade seria diferente, se pudéssemos descansar, não é mesmo?